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A História como Astrologia (um artigo de 2016)

A analogia histórica nada acrescenta à adivinhação do futuro. Todos os tempos históricos são comparáveis ao presente; em todas as eras, com alguma criatividade, encontramos semelhanças e identidades. A ubiquidade da parecença é, pois, tamanha que inviabiliza a analogia como fonte de revelação de conhecimento novo.

De alguma forma, a comparação histórica é semelhante ao esquiço psicológico dos signos astrológicos, que nos parecem sempre tão adequados, tão estranhamente íntimos, até que, por descuido, trocamos as etiquetas e notamos, com espanto, que também o perfil de Leão se aplica a este Peixes e o de Sagitário àquele Escorpião. Cada modelo contém o seu quê de humano, permitindo que todos encontrem identificação. O mesmo sucede com os tempos históricos. Escolha-se um tempo e o investigador diligente encontrará analogia intrigante, paralelos bizarros, simetrias de espanto…

A tentativa de prever o futuro extrapolando a partir da experiência da história é, por conseguinte, uma “ciência” paralela à astrologia, dizendo a cada um dos seus praticantes precisamente aquilo que deseja escutar. Assim sucede, como é sabido, com a astrologia, com os seus perfis e predições, infinitamente permutáveis já que sempre enunciados em termos suficientemente vagos que tudo permitem.

No passado, com algum esforço e capacidade retórica na exposição, encontramos tudo quanto baste para justificar um qualquer prognóstico ou, se mudarmos de sentimento, um outro de sentido oposto.

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